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Cirurgião plástico de Natal é condenado em caso de assédio eleitoral 

Cirurgião plástico de Natal é condenado em caso de assédio eleitoral 

O cirurgião plástico Robério Brandão e o Spa Hermes foram condenados, em primeira instância, pela Justiça do Trabalho a pagar 20 mil reais a uma funcionária que o denunciou por assédio eleitoral no último pleito.

Na época, o blog Juliana Celli replicou uma matéria sobre a denúncia feita ao site SaibaMais e procurou o médico para dar a versão dele, que negou o acontecimento relatado pela profissional.

A sentença foi proferida pela juíza Nágila Nogueira Gomes que decidiu, com base nas provas apresentadas pela enfermeira, que o médico e a empresa de estética paguem uma indenização por danos morais em razão do assédio eleitoral sofrido no montante de R$ 20 mil. O médico e a empresa ainda podem recorrer da decisão.

 

Entenda lendo a matéria do Jornal Saiba Mais, veiculada em 30 de outubro de 2022:

 

Uma enfermeira de 32 anos, que não quer ser identificada, acusa o cirurgião plástico Robério Brandão de assédio eleitoral. Segundo ela, o médico a demitiu de sua equipe por ela não ter declarado voto em seu candidato, Jair Bolsonaro (PL), na última sexta-feira (28). O caso aconteceu no Hospital Rio Grande, onde o cirurgião atende seus pacientes.

Segundo a vítima, no dia anterior, quando estava de folga, ela já havia sido alertada por colegas de trabalho de que o médico estava sondando o seu voto. Ela conta que, de uns quatro meses para cá, o clima na equipe do Dr. Robério Brandão estava cada vez mais tenso e, ela, por não aceitar expor sua opção eleitoral, era um alvo constante.

“Até então, nossa relação era super tranquila, tinha um vínculo de amizade. Eu realmente não esperava isso dele. Ele, inclusive, havia prometido me contratar como enfermeira”, disse a vítima, que é formada em Enfermagem mas atuava como técnica na equipe do cirurgião plástico há quase 1 ano e meio.

 

A situação chegou ao extremo nessa sexta-feira (28), às vésperas do 2º turno, quando ela chegou para trabalhar normalmente e foi abordada pelo médico. “E aí [nome preservado]? Tá se sentindo pressionada? Estão pressionando você para dizer o seu voto?” teria indagado ele, conforme relata a vítima.

Ela, prontamente, teria respondido: “Não, Dr. Robério! Não me sinto pressionada quanto a isso porque a Constituição me permite sigilo sobre o meu voto”.

O cirurgião, então, haveria retrucado, afirmando que aquela atitude poderia custar o seu emprego e que, para ele, era muito importante saber quem não pensa como ele. “Ele disse, também, que se eu fosse do lado da esquerda, eu não teria mais ele como chefe porque ele não admitia conviver com alguém que prefere um ‘governo diabólico’”, conta a enfermeira.

“Poucas pessoas sabem o meu voto, porque não gosto de política, não estudo sobre, e prefiro não conversar e não divulgar o meu voto. Até porque eu não tenho partido, eu não tenho lado, mas o meu voto se mantém em sigilo”, argumentou a vítima.

Ainda conforme relato da enfermeira, o cirurgião disse que não queria que ela votasse em Bolsonaro, mas nesse caso precisava saber se ela votaria nulo ou se é “do lado do PT” – teria insistido o médico em mais uma tentativa de coerção eleitoral.

Como não obteve êxito, o chefe a teria demitido: “Tendo em vista isso, hoje será o seu último dia aqui. Porque pra mim já perdeu o brilho, não será mais como antes. Não tem como ser como antes”, teria dito o chefe, a dispensando de suas atividades.

Contudo, quando questionado se ele preferia que ela fosse embora naquele exato momento ou só depois da cirurgia – que ainda não havia começado, ele teria respondido: “se você for embora agora, só vai confirmar o que penso sobre o seu voto”. Por isso, a enfermeira optou por trabalhar normalmente durante o seu último dia na equipe do médico.

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