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Cristianismo seletivo: cristãos pró-vida e anti-aborto se calam diante de mortes de crianças Yanomami

Cristãos pró-vida e anti-aborto se calam diante de mortes de crianças Yanomami

Em 2020, um grupo de evangélicos do Recife mobilizou dezenas de pessoas em frente ao hospital onde uma menina de 10 anos que engravidou após ser estuprada realizaria o aborto do feto. Em imagens publicadas nas redes sociais, o grupo rezava e chamava o médico responsável pelo procedimento de “assassino”.

A Conferência Nacional de Bispos no Brasil (CNBB) divulgou no último dia 18 uma nota em que critica o que classificou como “toda e qualquer iniciativa que sinalize para a flexibilização do aborto”, em resposta ao Governo Lula que informou que irá desligar o Brasil do chamado Consenso de Genebra, uma aliança antiaborto ultraconservadora firmada durante o governo Jair Bolsonaro.

Porém, evangelicos e católicos não se manifestaram com o mesmo engajamento sobre a situação dos índios Yanomami, em Roraima. Em condições desumanas, desnutridas e doentes, crianças e adultos foram resgatados pelo Governo Federal que decretou estado de emergência. Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, 99 crianças de 1 a 4 anos morreram em 2022 pelo caos sanitário que se instalou com o avanço do garimpo ilegal.

O discurso pró-vida, pela pátria e em defesa de Deus e da Família parece ser apenas um mantra utilizado para justificar o apoio ao ex-presidente Bolsonaro, que juntamente com a ex-ministra e pastora Damares Alves poderão ser investigados e responsabilizadas pelo genocídio de centenas de Yanamamis que morreram nos últimos 4 anos.

A irmã Damares – que tem em sua biografia a polêmica adoção de uma menina indígena retirada de sua tribo sem o devido processo legal – não sabia que aquilo estava acontecendo com aqueles índios? Logo ela, conhecedora profunda dos povos indígenas, fundadora da ONG Atini, em 2016, especializada na questão do infanticídio de crianças indígenas?

Ou para ela era “normal” crianças morrerem de diarreia, pneumonia, malária, desnutrição e “anormal” seria aborto ou infanticídio?

Onde estão os cristãos para ajudar imediatamente aquelas famílias? Queria ver o mesmo afinco – que pessoas que acampam em quartéis ou pegam a estrada em busca da “liberdade” e de uma pauta conservadora  – em fazer algo por aquele bebê de 18 dias que sofreu 5 paradas cardíacas enquanto a mãe andava durante 3 horas em busca de apoio médico.

A questão dos índios em situação desumana choca qualquer pessoa que tem um mínimo de compaixão e com certeza ela não é de hoje, demonstrando claramente como o cristianismo de ocasião, ou cristianismo seletivo, tomou conta do país.

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