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Voltei: meu relato sobre o golpe que me deixou sem comunicação e fez vítimas 

Meu relato sobre o golpe que me deixou sem comunicação e fez vítimas 

Era umas 14h30 quando percebi que meu telefone não estava completando chamada e nem acessando a internet. Liguei para a operadora, Tim, imediatamente, de um telefone emprestado, para comunicar o ocorrido. “Você solicitou a troca do seu plano família para uma conta pré-paga”, disse a atendente.

Expliquei na chamada que eu não tinha feito a solicitação e que queria a volta da conta para o plano que eu tinha contratado. Ela não conseguiu resolver de imediato, mas disse que alguém me retornaria. Vinte quatro horas depois, sem nenhum retorno da Tim, meu telefone de novo parou de funcionar. Dessa vez, não só ele, como WhatsApp, e-mail e Instagram.

Liguei imediatamente para a operadora e eles disseram que não sabiam o que estava acontecendo. Depois, me informaram que alguém tinha solicitado um novo chip, em outra cidade, para utilizar a linha.

Estava hackeada. O telefone de uma amiga começa a tocar: Juliana está divulgando o robôzinho do pix ou rackearam a conta dela?

Comecei a ficar desesperada quando vi que meu Instagram estava postando uma oferta milagrosa de ganhos através de pix. Na mensagem, você poderia “investir” dinheiro e ganhar mais que o dobro em 10 minutos. Essas mensagens intercalavam com arquivos retiradas do meu histórico de vídeos que eu fazia com meus filhos, tudo muito bem planejado.

Trinta minutos depois, uma amiga empreendedora consegue falar comigo e dizer que tinha “investido” 2 mil reais no tal robô do pix. Eu fiquei em pânico. Essa amiga está, com muito esforço, construindo uma loja para começar um novo negócio.

Parei de tentar resgatar minha linha e fui correr para tentar avisar ao máximo de pessoas que eu podia, dentro da limitação de estar incomunicável, para avisar que minhas redes sociais estavam em posse de bandidos.

Infelizmente, muita gente caiu. Outra empresária liga chorando para meu esposo: “investiu” 5 mil reais e depois notou que era um golpe.

Durante mais de 24 horas, tive acesso a comprovantes que indicavam que pessoas que me seguiam mandaram 500,00 , 700,00 , 1.800,00 para o golpista, que através de uma conversa de WhatsApp me garantiu que “não é nada pessoal”. Através do celular de outra pessoa, perguntei quanto tempo eles levam para devolver as contas: “vou fazer um vale e te devolvo, leva de 1 a 2 dias”, o criminoso explicou.

Na operadora, apesar de todas as reclamações, explicações de que muita gente estava perdendo dinheiro, a notícia que eu só conseguiria no outro dia recuperar minha conta. Fui dormir arrasada sabendo que pessoas inocentes estavam sendo enganadas. “Eu só depositei porque era você, porque confio no que você fala”, foi a frase que mais escutei das pessoas que caíram nessa pegadinha.

O golpe saiu em vários blogs, páginas de notícias, dei entrevista para emissoras de TV, mas ainda assim, os golpistas ludibriaram muitas pessoas, conseguiram pelo menos 30 mil reais sem que nada fosse feito.

No outro dia, por volta de meio dia, consegui meu número de volta. Contratei um serviço de um profissional de tecnologia, um “racker ético”, no valor de 2.200,00 para recuperar meu Instagram. Com a posse do meu e-mail, os bandidos driblaram a segurança em dois fatores e conseguiram redefinir a acesso com outros dados.

Meu WhatsApp, no entanto, ficou suspenso por 9 dias causando um prejuízo imensurável, já que trabalho com comunicação através das redes digitais.

Meu e-mail, da Hotmail, que eu possuía há 20 anos, com dados e informações armazenadas de trabalho, ainda está na posse dos bandidos. Por causa da burocracia da Microsoft, ainda não consegui provar que eu sou Juliana Celli e que aquele e-mail era usado por mim.

Minha vida virou um caos durante esses dias e a responsabilidade é da operadora, que não garantiu a segurança de meus dados.

Vários pedidos de desculpas pelos transtornos não serão suficientes para cobrir os prejuízos causados a mim e às vítimas do novo golpe do mercado, que utiliza a fragilidade da segurança da empresa como porta de entrada para a ação criminosa.

Sem dúvidas, nos encontraremos na justiça.

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